LHH: Algum mc com quem gostaria de trabalhar em especial?
Fly: São vários mcs, prefiro não citar nomes porque neste momento não tenho projectos onde eu possa enquadra-los e também não sei se seria possível, mas por agora eu gostaria mesmo de trabalhar com os meus niggas da Caixa de Pandora, é uma pena que o tempo não permite isso mas acredito q brevemente nós estaremos juntos e os problemas do rap se vão resolver.
LHH: Sendo um mc com bom potencial em Freestyle, porquê que nunca tentaste o Big Show Cidade?
Fly: Sempre fui o tipo de mc que gosta da rua e programas de rádio para mim eram como se fossem testes e eu nunca gostei muito de testes. Tenho liberdade de expressão na mensagem musical e também no freestyle e naquela época eu achava que no Big Show não podia me expressar da melhor maneira devido as condições que eles estabeleciam para os mcs. Daí dar-se o caso de eu preferir estar na rua que é onde eu me sentia como um artista e expressava os meus sentimentos da minha maneira, sem ter que me preocupar se estou a fazer o certo ou não.
LHH: Ultimamente a tela do rap nacional tem sido pintada com muitos beefs. Qual a tua opinião sobre isso?
Fly: Eu curto beefs. Eu acho que é a melhor parte que o rap pode nos apresentar, pois é através das palavras que nós conseguimos ver o potencial de cada um. Muita gente censura o beef, dizendo que alguns beefam para poder aparecer/subir, mas para mim isso é conversa de covardes. Beef faz parte do rap e não vai deixar de fazer, é uma das atracções que o rap pode nos apresentar, até porque é divertido ver dois mcs a lutarem através das palavras. É bom que os mcs saibam q eu curto beefs e como um bom rapper com colhões suficientes para tal, eu tou sempre disposto, o que não queira dizer que eu esteja a procura de beefs, mas estou a espera do 1º cabrão que tentar tocar em mim ou a um elemento do meu grupo.
Por outro lado não concordo com a atitude que muitos niggas têm quando liricamente são derrubados, partem para agressão física, isto é ridículo, estraga por completo a magia que os beefes trazem para nos nossos ouvidos e faz com que muita gente perca o interesse total por esta parte do rap, ali sim eu não concordo. É necessário que os rappers saibam separar as coisas, tirem as armas físicas do rap e passem a utilizar mais as armas verbais, se assim for, teremos um movimento muito mais forte com mcs terroristas na forma de pensar. Repito, eu curto beefs, mas beefs saudáveis porque também ajuda o mc a tornar-se muito mais daquilo que ele é.
LHH: Como é que foi trabalhar na Mixtape “Directamente do Underground” ?
Fly: Foi uma coisa muito boa para mim porque foram as minhas primeiras letras. Eu não gostava de escrever músicas, preferia fazer freestyles e achava que podia chegar no estúdio, improvisar e o improviso se tornaria em música, mas com o tempo fui percebendo que as coisas não são bem assim, a musica transporta um lado mais sério e era necessário eu estar mais concentrado para poder trazer aquilo que estava a sentir e trazer alguma informação ao pessoal. E o engraçado nessa mixtape é que foi feita de forma muito rápida, algo que surpreendeu tanto a mim como aos meus niggas. As letras foram escritas e gravadas ao mesmo tempo, devido a estes factores consegui adquirir uma boa experiencia e a cada dia que passa me sinto mais preparado para trabalhar nos projectos que se seguem.
LHH: Projectos futuros?
Fly: São tantos, só para teres noção eu sempre que acordo procuro escrever alguma letra e desta forma os projectos vão aumentando, porque são muitas músicas a serem feitas. Eu gosto de trabalhar para o rap mesmo ele não me dando nada, pois eu o faço por amor. Sinto que o rap me faz bem e também sinto que eu o faço bem porque é isso que me caracteriza como um homem. Em relação aos trabalhos para o futuro, prefiro não adiantar nada, só posso dizer que vocês ainda vão ouvir falar muito de Fly Skuad, porque as coisas que por mim estão a ser feitas… hehehe… Epah aguardem manos, aguardem mesmo.
LHH: Tendo em conta a "strong language" com que te expressas, não tens receio de ter que mudar na altura em que quiseres gravar um álbum?
Fly: Não, não receio isso porque é assim que eu sou naturalmente. Se houver necessidade de mudar, acho que será para ser muito mais pesado. Até porque eu acho que as pessoas devem me aceitar como sou e acho que todos nós no dia a dia temos uma “strong language” e eu faço isso na música normalmente. Meu rap é de liberdade de expressão e a liberdade de expressão implica vários factores e este é um deles, se não curtes não ouve, para mim safoda. O problema é que nós temos ouvidos muito sensíveis quando se fala de rap feito em Angola, as pessoas censuram muito as expressões que usamos em algumas músicas mas estas mesmas pessoas cantam e vibram com as musicas feitas na América repletas de obscenidades… É muito triste ver programas de rádio a cagaram para os nossos sons mas tocarem 24/24 horas músicas com conteúdo explícito feitas em inglês, mas como isso não me importa eu também cago para eles e continuo o mesmo nas minhas letras e se um dia o meu som tocar nas rádios, não será porque mudei o conteúdo.
LHH: Queriamos que deixasse uma mensagem á comunidade "lusohiphop".
Fly: Fiquem atentos aos próximos passos que darei, estou a preparar cenas muito interessantes, dignas dos vossos ouvidos. Quero atingir todos os pontos, fazer algo com que eu me sinta bem e que as pessoas também se sintam bem ao me ouvir porque esta questão de ser um rapper underground faz confusão na cabeça de muita gente. Quero que as pessoas saibam que o movimento underground também faz música com qualidade e é isso que nós estamos a tentar trazer para pessoal, como prova, avizinha-se a minha mixtape intitulada “As Crónicas de Fly Skuad – 666 Barras” que transportam um conteúdo muito pesado, sério e não é para ouvidos sensíveis, porque isto é o underground da camada mais profunda. Está também a ser preparada a mixtape do Lucassio com o nome de “Assassino Culto” e a do meu hommie Infinito – Deus da Guerra.