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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
DSK Family - Aprendi Ku Vida MixTape
DSK Family apresenta o seu novo trabalho, a mixtape ''Aprendi Ku Vida'', e também um video da faixa, ''Duvidas'' com participação de Bruninha.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Karlon (Nigga Poison) -Album "Nha Momentu" (Sons Promo)
Karlon, apresenta-se agora a solo com "Nha Momentu". Vem com um rap mais cru do que aquele que trouxe no último álbum dos Nigga Poison, onde as influências eram muitas, tornando o projecto mais eclético. É o retorno a um rap mais forte, que faz lembrar o inicio dos NP.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Helton Real G - 2ºBez MixTape (Download)

2ºBez é o segundo trabalho de Helton Real G, que afirma gostar de trazer coisas positivas no seu trabalho, rimando em criolo, a sua lingua.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Fizz & Quim - More Money, More Drama (Prod. Fizz)
Nova faixa de Fizz e Quim, intitulada ''More Money, More Drama'', retirada do seu novo album ''Bros 4 Life'', que chega brevemente.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O Profeta, Dav 1 e Samira - Liberdade e Autonomia
Nova Mixtape de Profeta & Dav 1 e Samyra intitulado "Liberdade & Autonomia". Uma mistura de rap e RnB.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Video: Chullage - Eles Comem Tudo (Prod. dB e 4th Dimension)
A música de Zeca Afonso é a base perfeita para Chullage trazer a critica social feroz em ''Eles Comem Tudo''. Rapressão é um espelho dos tempos actuais; um bom retorno de Chullage.
sábado, 30 de junho de 2012
KGB Squad - ''Independência ou Morte'' Album
A Zona Norte inf. e Lod Escur Rec. tem o prazer de apresentar para free download, o 3º trabalho discografico dos KGB Squad - ''Independência ou Morte''. Trabalho este que foi gravado entre Cabo Verde, Dinamarca, Holanda e Suécia e contou com a produção de G.Silva.
O álbum conta com a participação de vários artistas residentes nas ilhas e na diáspora cabo-verdiana. Entre estes, Vieira, Marley, Jenifer Solidade, Martir, DNA, Ex-Pavi, Rezistent, L.O.D, Sné, Gai, Carlos Sena e Young Hot (KF).
DOWNLOAD (ALBUM):
"INDEPENDENCIA porque é preciso no torná independent (emancipá) de estruturas de pensament e de formas de oia vida, construidos pa sistema, entorno social e pa nos prop preconceit. Des manera no pode ter mas capacidad pa oia realidad moda que el é e ter mas chance de consigui reconhece ilusão.
Se no ca vra independent no pode sofre um MORTE de identidad, de valores e de essencia de quem nos é realment. Somente bo pode ser mestre de bo mente e de bo alma, mas ninguem." – KGB SQUAD
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Limária, PS Akel MC, MK e Golden G - Subestimados
Os membros da PRVN Records e Epicentro Familia. (Limária, PS Akel MC, MK e Golden G) reunem-se para uma parceria no video clipe ''Subestimados''.
Outros projectos podem ser verificados nos links em baixo:
terça-feira, 19 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
Visão Periferica - ''Smokin Tape (Di Otu Lado Estrada)''
Visão Periferica apresenta o novo projecto ''Smokin Tape (Di Otu Lado Estrada)'', com participações de AMH, Pablo, Draztiko Rws, Pirata e Ady Zona. Mais projectos virão, fiquem atentos.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Yu Wayne - Um Sonho MixTape (Download)
Yu Wayne vem de Santiago Side (Cabo Verde), pertence ao grupo
Raíz De Mic e faz rap há 3 anos. O rapper afirma que a sua escrita é consciente e sempre positiva, abordando assuntos sobre racismo, discriminaçao, entre outros! ''Um Sonho'' é o seu trabalho mais recente.
domingo, 3 de junho de 2012
Yannick TDM lança o single ''História''
Yannick TDM lança o single ''História'' para download, retirado do seu próximo álbum a solo, intitulado ''Transparência Verbal'', que chega às ruas brevemente. Conta com participações de Thug Paxion, Ferry, Pina G e Vanessa.
domingo, 27 de maio de 2012
Chullage - A arte tem o papel de cantar o insustentável

Chullage levou oito anos a lançar o seu novo CD. Não porque não tivesse músicas feita para vários, mas porque precisava de dar de comer aos filhos. Nos bairros a vida não está fácil e o rap canta o amor e a raiva daqueles que lutam e sobrevivem.
Se o convidassem para os “Morangos com Açúcar”, para fazer um rap, acha que se enquadrava?
Não. A cena é em que contexto a tua música vai aparecer. Os
“Morangos com Açúcar” estão sempre a sobrevoar. Fazem um episódio da
droga e estão a sobrevoar. Houve um episódio sobre os artistas que era
muito romanceado. Se agarrassem numa música minha e fizessem uma coisa
qualquer ia ficar fora de contexto.
Não acredito que colocassem o meu tema “Barrigas Vazias”. Normalmente, as músicas que colocam são para ilustrar aquela espécie de psicologia de microondas que vendem aos miúdos. Decidem falar da droga e é sempre numa perspectiva como se estivessem num gabinete longe da realidade a falar para a classe média-alta sobre os problemas. E nesse sentido a minha música só poderia estar fora de contexto.
Não acha que apareceu fora de contexto numa campanha sobre o desperdício alimentar em que a canção dizia “o que eu não aproveito ao almoço e ao jantar/a ti deve dar jeito, temos que nos encontrar”, uma espécie de dar os restos aos pobrezinhos...
Não acredito que colocassem o meu tema “Barrigas Vazias”. Normalmente, as músicas que colocam são para ilustrar aquela espécie de psicologia de microondas que vendem aos miúdos. Decidem falar da droga e é sempre numa perspectiva como se estivessem num gabinete longe da realidade a falar para a classe média-alta sobre os problemas. E nesse sentido a minha música só poderia estar fora de contexto.
Não acha que apareceu fora de contexto numa campanha sobre o desperdício alimentar em que a canção dizia “o que eu não aproveito ao almoço e ao jantar/a ti deve dar jeito, temos que nos encontrar”, uma espécie de dar os restos aos pobrezinhos...
Não participei com esse intuito. Fui contactado por uma agência que
me pediu para participar numa campanha contra o desperdício alimentar e
eu concordo que não deve haver desperdício alimentar. Até por uma
questão pessoal, estou desempregado há seis meses e se alguém me dá uns
iogurtes, se eu tiver fome vou comer. A música transformou-se em algo,
porque realmente a letra passa o contrário do que quer passar. Acredito
que não foi escrita com esse propósito, de serem “os restinhos da minha
mesa para ti”. Se fosse assim, não participaria.
Mas é verdade que, quem não conhece a intenção dos autores, ao ouvir a letra pode ter a perspectiva de uma cena paternalista, até ofensiva para a pobreza das pessoas. Agora acho que há imenso desperdício. A pergunta que faço é: na Inglaterra, quando os supermercados deitam a comida fora, põem lixívia e amoníaco para impedir que as pessoas possam comer, gente que efectivamente tem fome, aquela esquerda histérica que saltou para cima da campanha está disposta a pôr amoníaco no problema das pessoas e continuar a mandar soluções para amanhã para os problemas de hoje?
Mas é verdade que, quem não conhece a intenção dos autores, ao ouvir a letra pode ter a perspectiva de uma cena paternalista, até ofensiva para a pobreza das pessoas. Agora acho que há imenso desperdício. A pergunta que faço é: na Inglaterra, quando os supermercados deitam a comida fora, põem lixívia e amoníaco para impedir que as pessoas possam comer, gente que efectivamente tem fome, aquela esquerda histérica que saltou para cima da campanha está disposta a pôr amoníaco no problema das pessoas e continuar a mandar soluções para amanhã para os problemas de hoje?
Não há sempre uma tensão entre o assistencialismo e resolver
o problema das pessoas? Conseguimos sempre justificar o “fazer
caridade” hoje, mas isso resolve o problema?
Sou contra o assistencialismo. Não é a dar sopinha aos pobres que se
vai resolver o problema da pobreza. As campanhas contra o desperdício
também não o vão fazer. Isto é uma merda, nem sequer chega a ser
paliativo. Isso mantém o problema. Acho que a letra está mal feita à
partida. Mas muita da gente que fala come bem para caraças. Naquela
altura, em que aquelas pessoas falaram disso, houve dias em que não
comi. Estou desempregado há seis meses e nenhuma dessas pessoas tem dado
resposta ao meu desemprego e ao de milhões de pessoas. Algumas
manifestações parecem um carnaval que não resolve nada. Sou um tipo de
esquerda, não defendo o assistencialismo, mas é preciso inventar novas
lutas e formas de resolver os problemas.
A primeira música do seu álbum faz uma certa crítica a um
rap que ficou com a estética e lhe tirou o sentido. Uma espécie de
contraponto entre o rap de rua e o comercial...
Não é o comercial. Sempre que fazes um CD estás a fazer algo de
comercial. É um rap higienizado e branqueado... E branqueado não se
refere à cor da pele, a expressão é usada para falar do esquecimento dos
seus valores e da sua história. Tens vários rappers brancos, asiáticos,
da América Latina, a fazer música radical que respeita os valores do
rap. Falo de uma música que é feita para se adaptar aos consumos de uma
classe média alta branca, que é branca porque estamos em Portugal e quem
tem mais poder de consumo são esses brancos. Se estivéssemos em Angola
ou Cabo Verde seriam negros, então vão fazer a música à medida desse
mercado, devidamente higienizada.
Uma das reivindicações do seu disco é um rap que continua a
falar da “cor da epiderme”. Não acha que em Portugal vivemos mais um
problema de desigualdades que de afirmação?
Tudo é um problema de desigualdade. Mas essa mesma desigualdade tem
especificidades. Não percebo por que razão toda a gente aceita as lutas
de género como sendo boas, mas quando se chega à questão da raça isso já
não é aceitável. Dizem: “Lá estão vocês com a mania da perseguição.” Só
quero fazer uma pergunta: a raça é um motivo de exclusão ou não? Há um
bolo grande que se chama igualdade, mas tem de haver várias frentes na
luta pela igualdade e essas frentes são de género, pois é, de classe,
pois é, mas também de raça. E quando nós estivermos a fazer essa luta da
raça estamos a fazer uma coisa importante.
Mas os músicos não são bons e maus independentemente da cor da pele?
Essa discussão da importância do contributo cultural é natural que
outros não a sintam. Não ouviram durante gerações dizerem-lhes na escola
e nos livros que a sua história era inferior. Que era uma história de
escravatura, de migrações, em que estás sempre na porta dos fundos da
sociedade. És o primeiro a entrar para vires limpar e o primeiro a sair
para lá não estares na hora de acender a luz. E isto é uma realidade.
O meu avô foi contratado em São Tomé, estamos a falar de há 40 a 60 anos, foi a instauração de uma psicologia de fome que criou os mecanismos para obrigar um povo a emigrar em massa, para manter um mecanismo esclavagista a funcionar. Se continuarmos a passar sem olhar para a nossa história, teremos pessoas que não sabem para onde vão, porque ignoram de onde vieram. Se insistirmos em apagar, esconder e não discutir abertamente aquilo que nos diferencia, não entenderemos porque estamos aqui. Dificilmente construiremos alguma coisa em conjunto com os outros sem sarar as feridas.
O meu avô foi contratado em São Tomé, estamos a falar de há 40 a 60 anos, foi a instauração de uma psicologia de fome que criou os mecanismos para obrigar um povo a emigrar em massa, para manter um mecanismo esclavagista a funcionar. Se continuarmos a passar sem olhar para a nossa história, teremos pessoas que não sabem para onde vão, porque ignoram de onde vieram. Se insistirmos em apagar, esconder e não discutir abertamente aquilo que nos diferencia, não entenderemos porque estamos aqui. Dificilmente construiremos alguma coisa em conjunto com os outros sem sarar as feridas.
Resta saber se a questão das feridas e a sua repetição não
pode ser usada para dividir a possibilidade de haver um rio de gente
diferente que possa construir qualquer coisa de novo...
Pelo contrário, sarar as feridas serve para unir esse rio. Essa
discussão entre os movimentos identitários e a esquerda universalista
existe nos Estados Unidos há 50 anos... Há uma cena muito interessante
de um autor, Robin Kelley, em que ele mostra que na construção do
iluminismo e dos ditos valores universais nós, os negros, não estávamos
lá. O socialismo tem de entender que muitas vezes foi construído de si
para si e por vezes sobre a história de outros povos.
Se me perguntares se sou anticapitalista ou socialista, eu dir--te-ei que tenho outra opção, sou “cabralista” [seguidor de Amílcar Cabral, um dos fundadores do PAIGC], um tipo que pensou a política à luz dos seus problemas. E a raça, ainda que seja uma construção social, é uma realidade e faz parte da política. Desafio o jornalista: qual é a percentagem de desemprego na comunidade negra em Portugal? Será que são os 15% ou são mais? A raça tem aqui uma importância determinante.
Se me perguntares se sou anticapitalista ou socialista, eu dir--te-ei que tenho outra opção, sou “cabralista” [seguidor de Amílcar Cabral, um dos fundadores do PAIGC], um tipo que pensou a política à luz dos seus problemas. E a raça, ainda que seja uma construção social, é uma realidade e faz parte da política. Desafio o jornalista: qual é a percentagem de desemprego na comunidade negra em Portugal? Será que são os 15% ou são mais? A raça tem aqui uma importância determinante.
De alguma forma faz a afirmação dessa situação no segundo tema do disco [N.I.G.G.A.S.].
Esta música tem que ver com a perspectiva que nós negros temos de
nós, que é uma perspectiva errada, construída ao longo de gerações. Os
novos podem ter a ideia de “o fulano é um granda gangsta”, mas os
verdadeiros grandes gangstas foram o Amílcar Cabral e o Malcolm X, os
gajos que lutaram contra o sistema. A perspectiva nos bairros, quando os
jovens pensam que são gangstas e estão a ir contra o sistema, não
entende que o crime e o trabalho são duas faces do mesmo sistema. Os
grandes criminosos em Portugal não são negros, no entanto continuas as
ver nas ruas, nas esquinas, que são virtualmente substituídos por outro
qualquer quando são presos, como se fossem trabalhadores temporários, e
que no fim do dia, depois de arriscarem a vida, fazem literalmente 20
euros para irem comer.
Não há uma certa mitificação na sua música daquilo que se passa nos bairros?
O rap sempre mitificou. Na minha perspectiva, ninguém está a
conseguir mobilizar nem os bairros, nem os 10 milhões de pessoas. Há um
problema de mobilização na comunidade negra muito grande. Mas a música
não tem um papel messiânico. Aqui estão as minhas opiniões, as minhas
vivências e as minhas frustrações, quando tenho uma banda que não
consegue sequer ir da Margem Sul para Lisboa porque não tem dinheiro.
Quando fala de “resistência e guerrilha” e centenas de “tropas”, não se fala de uma força que não há?
O disco não é propositivo, não tem a pretensão de dizer vamos fazer
isto ou aquilo. A música não é sociologia. Nem todas as coisas têm de
ter respostas racionais. A arte não tem a obrigação de fazer propostas
políticas. Há um livro muito importante sobre a luta negra, “Freedom
Dreams”, do tal Robin Kelley, em que ele defende que a luta dos negros é
construída a partir do lugar em que quer chegar e não de onde parte. Do
lugar em que está toda a gente sabe. O Sun Ra fala da “spaceship”, de
nos levar a outro lugar que não é este. Agora eu pergunto: a intuição
está patente ou não?
A espiritualidade está patente ou não? Não acredito que se tenha de fazer música racionalista, não acredito que tenhamos de estar sempre a falar de onde estamos, que não possamos ter na música um discurso sobre onde queremos chegar. A esquerda fala disso quando pensa na utopia. Não se cantaram as guerrilhas antes de elas se fazerem? Em Portugal não se cantou a revolução antes de ela se fazer? Não se cantou em África a independência antes de ela se fazer? Porque é que não se pode cantar em Portugal uma luta que está a ser feita ou antes de ela se fazer ou para a apregoar?
Porque é que me fazes essa pergunta? Não posso cantá-la? A arte não teve o papel de fazer chegar lá, a arte tem o papel de cantar o insustentável, aquilo que já não estava escrito nos cadernos da escola, ou nos jornais. Esse é o nosso papel. Depois posso ter a opção de dizer “não quero só fazer letras de músicas, quero fazer este trabalho também”, e então estender-me como ser humano, ou como ser político e fazer essa luta.
A espiritualidade está patente ou não? Não acredito que se tenha de fazer música racionalista, não acredito que tenhamos de estar sempre a falar de onde estamos, que não possamos ter na música um discurso sobre onde queremos chegar. A esquerda fala disso quando pensa na utopia. Não se cantaram as guerrilhas antes de elas se fazerem? Em Portugal não se cantou a revolução antes de ela se fazer? Não se cantou em África a independência antes de ela se fazer? Porque é que não se pode cantar em Portugal uma luta que está a ser feita ou antes de ela se fazer ou para a apregoar?
Porque é que me fazes essa pergunta? Não posso cantá-la? A arte não teve o papel de fazer chegar lá, a arte tem o papel de cantar o insustentável, aquilo que já não estava escrito nos cadernos da escola, ou nos jornais. Esse é o nosso papel. Depois posso ter a opção de dizer “não quero só fazer letras de músicas, quero fazer este trabalho também”, e então estender-me como ser humano, ou como ser político e fazer essa luta.
Numa outra música há uma crítica à forma como os jovens do subúrbio vivem as suas relações amorosas.
Não é uma crítica. Tens de viver a tua luta na base do amor: as
pessoas que tu amas e não as pessoas que tu odeias. É inútil continuar a
fazer esse discurso do ódio. E isso é o que o mundo nos tem mostrado.
“Eu odeio aquele e vou à guerra e vou mandar os meus tanques e os meus
mísseis” ou “aquela etnia é fodida, vou mandar aqui os meus skinheads” e
não sei quê... Não, temos de nos construir com base no amor que temos
como seres humanos, pelos filhos, pelos companheiros e companheiras e
pelo mundo.
Isso é que move as pessoas. Se for ouvir a motivação do subcomandante Marcos [porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional], é uma motivação de ódio ou uma motivação de amor, pela sua história, pelo seu povo e pelo mundo, pela humanidade? Enquanto não souberes amar o teu próximo, quem mais tu sabes amar? Porque estamos num mundo em que a linguagem do ódio e da violência é a linguagem que vende. Fui pai, sei o que é que a afectividade faz a uma pessoa.
Sei que o importante é criarmos os nossos filhos com afecto, em vez de os entregarmos só às creches e deixarmos que eles sejam criados por estranhos, à luz das teorias especiais e das pedagogias e essas merdas todas. O amor é uma linguagem universal. Por exemplo, nessa música falava directamente com o meu irmão sobre o meu sobrinho. É uma vivência pessoal. Às vezes posso estar a falar de mim, posso estar a fazer uma auto-reflexão, uma crítica a mim e não uma crítica ao outro. Há um lado extremamente autocrítico.
Isso é que move as pessoas. Se for ouvir a motivação do subcomandante Marcos [porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional], é uma motivação de ódio ou uma motivação de amor, pela sua história, pelo seu povo e pelo mundo, pela humanidade? Enquanto não souberes amar o teu próximo, quem mais tu sabes amar? Porque estamos num mundo em que a linguagem do ódio e da violência é a linguagem que vende. Fui pai, sei o que é que a afectividade faz a uma pessoa.
Sei que o importante é criarmos os nossos filhos com afecto, em vez de os entregarmos só às creches e deixarmos que eles sejam criados por estranhos, à luz das teorias especiais e das pedagogias e essas merdas todas. O amor é uma linguagem universal. Por exemplo, nessa música falava directamente com o meu irmão sobre o meu sobrinho. É uma vivência pessoal. Às vezes posso estar a falar de mim, posso estar a fazer uma auto-reflexão, uma crítica a mim e não uma crítica ao outro. Há um lado extremamente autocrítico.
Diz que tem encontros com a PSP, com a PJ e com o SIS. Parte
da comunidade sente de alguma forma perseguição por causa da sua
politização, nos bairros?
Nos bairros há perseguição. Há uma forma de policiamento diferente,
ponto final. Nem precisas de ser politizado: são dez da noite, estão
seis gajos na rua, vais ser encostado à parede. Depois, se fizeste merda
ou não, logo se vê. Logo se arranja, até. Se precisarem de te levar,
arranjam qualquer coisa, nem que seja resistência à autoridade. Isto é
uma realidade e podes perguntar às pessoas que vivem nos bairros.
E também não é uma coisa só de pretos. Vai perguntar a brutalidade que se tem feito sentir no Porto, e não estou a falar da Fontinha... Há gente que acha que a repressão policial é nas manifestações, mas é ver a violência nos bairros do Porto. Agora, para o pessoal politizado, faz-_-se sentir sim senhor. Tanto há pessoas da plataforma como de outros grupos que a têm sentido, não só das escutas que levam, pelas pessoas que já foram agredidas por terem actividade política. As pessoas dos bairros já são perseguidas e se tiverem um discurso político são mais.
E também não é uma coisa só de pretos. Vai perguntar a brutalidade que se tem feito sentir no Porto, e não estou a falar da Fontinha... Há gente que acha que a repressão policial é nas manifestações, mas é ver a violência nos bairros do Porto. Agora, para o pessoal politizado, faz-_-se sentir sim senhor. Tanto há pessoas da plataforma como de outros grupos que a têm sentido, não só das escutas que levam, pelas pessoas que já foram agredidas por terem actividade política. As pessoas dos bairros já são perseguidas e se tiverem um discurso político são mais.
Aconteceu-lhe alguma coisa?
Tenho casos de ameaças, concretas, até já brinco com isso.
Ameaças de quem? Da polícia?
Carros a passar com paisanos a ameaçar, ir na rua na boa e os
polícias dizerem “olha, é o Chullage”... e tenho casos de ser parado
numa operação stop e dizerem “olha, a tua música é boa! Boa viagem!”
Generalizar as coisas é foda. Também podes encontrar aquele polícia que
te vai dizer “não, não concordo”, mas o problema é que tu não podes
falar da opinião do polícia, tens de falar da prática geral de uma
instituição.
Foi preciso este tempo para fazer um novo álbum? Foram oito anos, não é?
Não, não. Precisei foi desse tempo porque tinha de trabalhar e comer
e dar comida aos meus filhos. Infelizmente esta merda não me dá
dinheiro. Felizmente, posso dizer o que quero aqui porque não dependo
dessa cena, vou buscar dinheiro noutro lado. Só que infelizmente agora
nem isso é possível. Não precisei de oito anos, mas essas músicas até
são infelizmente actuais, algumas feitas há anos. Escuta-se as “Barrigas
Vazias” e parece feita para a crise de agora. Mas o processo está a
acontecer há 30 anos: é o neoliberalismo, isto é o consenso de
Washington. As únicas músicas escritas na altura da mistura deste álbum
são o “Mediocridade” e o “360”.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Chullage no Teatro do Bairro a 25 de Maio - Apresentação do álbum
No próximo dia 25 de Maio, Chullage sobe ao palco do Teatro do Bairro para apresentar o seu tão aguardado terceiro disco, Rapressão (ed. Optimus Discos/Lisafonia), que sucede a Rapresálias (Sangue Lágrimas Suor) e Rapensar (Passado Presente e Futuro).
Mantendo um aguçado sentido crítico em relação à sociedade, Chullage continua a abordar temas como a pobreza, o racismo ou a vivência em bairros sociais, veiculado pelas sonoridades do Rap e do Hip Hop.
Pelo palco do Teatro do Bairro, na noite de 25 de Maio, vão passar entre outros Low Rasta, DJ Extreme, Pedro Castanheira, Vilma, Don Nuno, Fidjus di Barraca, LBC, PM, Eida, F.di.B, Mc Tchoras e Plutonio, entre outros.
"Já não dá", o primeiro single a destacar de Rapressão, é o grito de basta de uma geração que não consegue edificar o futuro, e convoca um sample de “Assim Como Quem Nasce”, escrito por Paulo de Carvalho e interpretado por Luísa Basto, e outro de “Eh! Companheiro”, de José Mario Branco.
Musicalmente, Rapressão conta com a militância dos bombos, tarolas, scratches e samples da velha escola e os synths da actualidade, introduzindo igualmente elementos acústicos e samples de músicas de intervenção com 30 anos de vida que soam mais actuais do que nunca.
O percurso discográfico de Chullage, apesar de irregular, tem-se feito notar junto da crítica especializada e de um vasto número de seguidores fiéis à sua expressão musical e social, pela sua invulgar capacidade poética e beats hardcore.
Também Rapressão está a ser muito bem recebido pela crítica e pelo público, que já adoptou o tema “Já não dá” como hino de protesto.
CHULLAGE APRESENTA RAPRESSÃO
TEATRO DO BAIRRO | 25 MAIO | 23H00
Teatro do Bairro
Rua Luz Soriano, 63
Bairro Alto, Lisboa
Bilhetes: 6,00 Eur, com oferta de CD Rapressão
(limitado ao atock existente)
Início do Espectáculo: 23H00
Abertura de portas: 22H00
sábado, 5 de maio de 2012
Yu Wayne - ''Historia di Nha Vida'' MixTape
Yu Wayne é de Cabo Verde (Santiago Side), mas reside em Portugal há 2 anos. Juntamente com Ró Wayne e Wy Wayne, formou a crew Raíz De Mic, que trazem mensagens positivas e conscientes e abordam temáticas importantes como Violência, Racismo, Guerra, entre outros. ''Historia di Nha Vida'' é a sua primeira Mix Tape a solo, lançada em 2011 e está agora disponível para download.














