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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Grupos de hip hop criam roupas mesclando rap, moda e cultura!

Jovens trocam padrões estéticos americanizados pela economia solidária.

20091024111616806O rapper Sagaz e a estilista Pandora se propõem a reinventar a moda das ruas, abrindo espaço para a reciclagem de roupas

A geração de bonés de aba reta, calças largas e tênis estilizados não quer mais depender dos padrões do hip hop norte-americano. Com pesquisas fundamentadas nas preferências dos jovens do Brasil, vários artistas do movimento de periferia começam a criar coleções inspiradas na cultura brasileira. Além da crítica social, já identificada no conteúdo de letras dos grupos de rap e nos grafites cada vez mais presentes na cena urbana, a moçada agora quer se vestir com personalidade, com roupas e adereços assinados por eles próprios. A ideia é inverter a lógica do mercado e criar alternativas, inclusive de economia solidária e de proteção do meio ambiente. Tudo com muito estilo.
Estudante de moda de Vitória, no Espírito Santo, MC Pandora da Luz já é identificada como a estilista do hip hop. Recentemente, ela veio a Belo Horizonte mostrar sua coleção autoral na mostra Canta e dança BH, realizada no Parque Municipal. Durante o desfile, as peças criadas pela capixaba receberam intervenção ao vivo do grafiteiro Sagaz. Saias, calças e camisetas foram customizadas diante do público. Aos poucos, as peças começam a dar forma à coleção Re-Fazenda, que a artista desenvolve como projeto de pesquisa de encerramento do curso de graduação.
De origem modesta, Pandora conta que tem afinidade com a cultura popular e tradicional mineira. Por isso, dedica seus estudos a essas possibilidades de interação. Seu trabalho é conceituado no reaproveitamento das peças, associado ao crochê e a bordados, com pinceladas artísticas do grafite. “Todas essas vertentes têm forte relação entre si. É possível recriar formas, tamanhos e propostas para dar origem a roupas estilizadas”, diz ela.
Durante os desfiles, realizados com frequência no Espírito Santo, Pandora leva à passarela modelos não convencionais. Acredita que assim se reproduz a cultura das ruas, desmitificando a ideia de que moda é algo especial. “Gosto de observar pessoas comuns, inclusive com numerações diferenciadas e de todas as estaturas, para obter visual eclético, pois a nossa população tem essa diversidade”. A proposta de recorrer a roupas usadas para construir outras peças está ligada à preservação do meio ambiente. “É uma maneira de contribuir para a despoluição. Transformo calças em saias, reutilizo camisetas de campanhas institucionais agregando outros valores. Corto, reconstruo e refaço para aproveitar ao máximo tudo o que o tecido pode oferecer”.
A parceria com o rapper e grafiteiro Sagaz, do grupo Suspeitos na Mira, é anterior à pesquisa. Há sete anos eles moram juntos e compartilham experiências de militância no hip hop, com abordagem da cultura afro-brasileira. Sagaz é escultor, cria telas com a temática dos orixás afro-brasileiros e tem papel importante nas pesquisas e apresentações da coleção Re-Fazenda. “Nossa casa é um ateliê gigante. Vivemos de arte e da nossa capacidade diária de reinventar”, diz Pandora.

Reinaldo Santana/divulgação
Saia é grafitada, ao vivo e em cores, durante desfile da coleção Re-Fazenda, em Belo Horizonte

COMBOIO MINEIRO

Em Minas Gerais, pelo menos três grupos se dedicam à experimentação na moda. Coletivo Nospegaefaz, Rota 89 e Leo AN desenvolvem peças com cores, estilos e adornos inspirados no hip hop. Eles criam projetos por encomenda, apoiam grupos de rap de Belo Horizonte e já começam a provar estratégias industriais.
Quando o coletivo decidiu investir no segmento, a intenção era apenas criar identidade para os integrantes do grupo. “A gente queria se apresentar de uma forma mais organizada. Passamos lista para todos contribuírem para fazermos a primeira camiseta. De repente, vimos que a adesão foi muito maior que a esperada e descobrimos que há carência enorme nessa área”, conta o rapper Blitz, um dos diretores da Nospegaefaz, que reúne cinco grupos de várias regiões da cidade.
Eles criaram a marca UComboio, que lançou coleções em três categorias (feminino, masculino e infantil), com bermudas, camisetas, blusas e saias. O coletivo critica a postura das lojas oficiais, acusadas de investir pouco na cultura hip hop da capital. “As empresas lançam produtos para um número enorme de jovens que se identificam com o movimento, mas não oferecem qualquer tipo de patrocínio ou de apoio aos artistas. Não investem em festivais, nem colaboram para o fortalecimento da cena. Achamos isso muito ruim, pois em tudo é preciso haver contrapartida”, diz Blitz.
Sem finalidade lucrativa e ainda em fase de experimentação, a UComboio deve ser registrada no ano que vem. Por enquanto, os idealizadores da iniciativa criam peças para divulgar a proposta. O coletivo busca parcerias com a iniciativa privada para a produção em larga escala e a regulamentação do projeto. “Estamos otimistas, porque muitas pessoas demonstram interesse, elogiando as peças. Em pouco tempo teremos condições de oficializar a ideia”, conclui Blitz.
Fonte: Uai

By Loko do Cerrado

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jovens pagam caro para andar na moda hip hop


A economia dentro do hip hop a cada dia se diversifica. É visível a mudança de segmento das empresas que sempre atuaram neste ramo, bem como é nítida a entrada de novas empresas de olho nessa “nova” fonte de renda, bastante promissora, diga-se de passagem: a venda de roupas e artigos ligados ao hip hop. Há poucos anos atrás, no auge das vendas de CDs, diversas lojas por todo o Brasil se fortificaram com a venda dessas mídias.As gravadoras também obtiveram recordes de faturamento e, por outro lado, possibilitaram que vários grupos de rap gravassem seus trabalhos e entrassem no mercado fonográfico.

Com a expansão da internet, rapidamente veio a crise das gravadoras e a conseqüente queda das vendas de discos. O mercado entrou em colapso e fez com que as empresas descobrissem nova forma de sobrevivência.O estilo tipicamente do gueto, gera hoje faturamentos exorbitantes no meio comercial. Para se vestir na moda, Office boys e auxiliares de produção, dentre outros, comprometem mais de 50% da renda. O estilo norte-americano de se vestir faz com que as pessoas percam a dimensão dos seus gastos e, muitas vezes, comprometam seus orçamentos. E por falar em americanos, estes ainda conseguem vender seus CDs e DVDs aqui no Brasil por curiosos valores médios de 25, 30 reais.

Abordando este aspecto, Marta Vieira retratou a cena mineira e calculou aproximadamente quanto um jovem gasta para se vestir na onda do hip hop. A matéria foi publicada inicialmente no Estado de Minas.

Jovens pagam caro para andar na moda hip hop

Seguir o estilo hip-hop em BH significa gastar mais de R$ 1 mil para usar calças largas, casacões de poliéster, tênis, boné e corrente. Tudo de marca e pago à vista O ponto de encontro fica a um lance de escadas do asfalto movimentado do Centro de Belo Horizonte, perfeito exemplo do caos urbano que é motivo de inspiração na música e nas manifestações de protesto de um grupo de consumidores frequentes nas tardes de quinta e sexta-feira e nas manhãs de sábado na antiga Galeria Praça Sete.

Eles buscam algo além do passeio em frente às vitrines do primeiro andar e estão dispostos a pagar caro para garantir estilo no baile rap, com brinco e corrente, sem se esquecerem do boné, do casaco e do tênis. A fidelidade ao estilo de vestir pode custar mais de R$ 1 mil, num conjunto de artigos típicos do gosto desses clientes de forte personalidade, mas o significado do dinheiro, aparentemente, não passa da possibilidade de encarnar atitudes respeitadas e admiradas no autêntico movimento hip-hop.

O roteiro de lojas que se especializaram nesse comércio em que a marca já está definida na mente do consumidor, quando ele sai de casa ou do trabalho para ir às compras, envolve pelo menos oito lojas no mesmo corredor do prédio, na esquina das avenidas de maior movimento no Centro de BH, Afonso Pena e Amazonas. É necessário um estoque bem preparado para satisfazer o garimpo de novidades procuradas a cada semana pela maioria de jovens dos 12 aos 20 anos, e até mesmo sem a preocupação de deixar todo o salário no caixa.

O auxiliar de produção Warley Evangelista de Souza, de 18 anos, diz que o importante é a sensação de liberdade e conforto tão preservada pelos adeptos do hip-hop. Em questão de minutos, durante a folga da semana passada, Warley desembolsou R$ 90 por uma camisa e um boné da marca XXL, orçamento que costuma chegar a R$ 250 nas idas habituais às compras. “Já reservo parte do salário. Me sinto bem e confortável no estilo”, afirma. Metade dos 30 anos de vida do vendedor e professor de dança Marcelo Augusto da Silva foram dedicados a entender esse público.

Quem só vê o lado contestador desses garotos metidos em calças e casacos de poliéster extravagantes e de numeração superior aos limites do corpo pode se surpreender com o desejo que eles têm de se enfeitar como o ídolo de todos os tempos, o cantor Michael Jackson, e os rappers americanos que iniciaram legiões de seguidores de uma filosofia urbana e global. “Eles valorizam muito a cultura que identifica esse movimento. Querem liberdade e ficar à vontade”, afirma Marcelo Silva.

A indústria tenta acompanhar o ritmo acelerado desses consumidores. Suprassumo dos bonés que Marcelo vende, as peças de abas retas podem custar R$ 210. Dançarino de rap há oito anos, Marco Túlio dos Santos trabalha no comércio especializado da Galeria Praça Sete desde novembro do ano passado, unindo o conhecimento e a prática no movimento à arte de encontrar o que os clientes pedem. “Muitas vezes, eles idealizam o estilo que veem nos clipes americanos e valorizam a marca porque ela representa um estilo de viver”, diz. Líderes de audiências nas vitrines, os tênis que Marco Túlio oferece têm grande variedade de opções e de preços, que chegam a R$ 520. Por R$ 180, é possível comprar o estiloso modelo usado pelos B.boys – bê do inglês break –, aqueles garotos que dançam na batida da música.

Brilho na boca Nova sensação dos bailes mais concorridos, o grillz, uma espécie de placa coberta de brilhos para enfeitar os dentes, peça produzida nos Estados Unidos, como boa parte dos artigos encontrados no comércio, pode custar R$ 170, feito em aço cirúrgico, cravejado de strass e banhado em ouro. Os adeptos do estilo gastam R$ 300 a R$ 600 a cada 15 dias com os produtos vendidos na loja especializada onde o vendedor Leandro Rodrigues completa o sétimo ano de trabalho. “Se o cliente gosta da mercadoria, com certeza, vai voltar. Quando chega, o vendedor já sabe a marca de seu interesse”, afirma. Vedetes como os skates podem ser comprados por R$ 190 a R$ 220.

Há também raridades que a gerente de loja Edilene Miranda Pereira de Oliveira oferece aos clientes, entre DVDs e livros. Os álbuns de músicas do rapper americano Tupac Amaru Shakur, morto em 1996 aos 25 anos, e a coletânea 100% Favela são bons exemplos na faixa de R$ 35 cada um. Público cativo das lojas, garotos que ajudam na renda da família, com o dinheiro ganho muitas vezes como oficce-boys ou vendedores ambulantes, mantêm outro hábito característico de só pagar as compras à vista.

Para o consultor em marketing e moda Carlos Magno Gibail, professor do Instituto Europeu de Design, com sede em São Paulo, esses consumidores são, de fato, mais do que contemporâneos; eles construíram uma tribo.

“O hip hop está para essa meninada como a Daslu para os ricos”, compara. Na avaliação de Magno Gibail, não há dúvidas de que o comportamento deles é que passou a definir o consumo, não mais o poder aquisitivo isoladamente ou a instrução de cada um. Sem a sofisticação dos grandes centros de compras, a Galeria Praça Sete dá o exemplo do comércio do futuro, que se estrutura em torno do que os americanos chamam de life style (estilo de vida). São lojas destinadas a atender tudo o que determinados clientes adotaram como forma de viver, na contramão da heterogeneidade de produtos dos centros de compras mais conhecidos dos brasileiros A nova tendência chegará, de forma inevitável, ao país, na opinião do consultor.

Orçamento Pronto para a festa (em R$)

Calça C&D = R$ 85 Camisa Avirex = R$ 110 Casaco C&D = R$ 134 Tênis And I = R$ 289 Boné New Era = R$ 210 Grillz (enfeite de dente) = R$ 170 Corrente = R$ 35 Bandana = R$ 12 Gasto total = R$ 1.045

Por: CH2 - Portal Cultura Hip Hop

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cabelo:Dreads na cabeça

Eles são sinônimos de luta, imponência e respeito, porém, exigem cuidados em sua criação e manutenção. A boa notícia é que uma nova técnica em São Paulo permite dreads com aparência de verdadeiros e que podem ser retirados sem cortar o cabelo antigo. Que tal?

TEXTO E PRODUÇÃO SIMONE DIAS| FOTOS RAFAEL CUSATO | MAQUIAGEM REGIANE CERCHINI

No mundo moderno o que vale é a praticidade, mas sem perder o estilo. A maioria das pessoas, principalmente mulheres que usam cabelos mais longos, admira e quer aderir ao visual dreadlocks, ou simplesmente dreads. Mas o medo de ter de cortar o cabelo bem curto inibe a mudança radical. Difícil decisão! Pensando nisso, a cabeleireira Chris Oliveira, da Cia das Tranças, em São Paulo, inventou uma nova técnica que não exige nenhum sacrifício. “Criei esse dread que pode ser tirado depois sem danificar em nada o cabelo. Tem a aparência de verdadeiro e pode ser usado por até seis meses, fazendo manutenção a cada dois meses, em salão”, diz Chris. Em outras palavras, não é preciso cortar o cabelo antigo quando não quiser mais usar o dread.

"PENSANDO EM UMA SOLUÇÃO CRIEI ESSE DREAD QUE PODE SER TIRADO DEPOIS SEM NADA DANIFICAR O CABELO, TEM A APARÊNCIA DE VERDADEIRO E PODE SER USADO POR ATÉ 6 MESES, FAZENDO MANUTENÇÃO A CADA 2 MESES”

diz Chris

MODELOS ANDRÉ MILAGRES E VANESSA CORREIA

FOTO REPRODUÇÃO

fios do Tempo

Além da parte estética, dreadlocks é um estilo de vida, usado por homens e mulheres de várias idades. Porém, sua origem nada tem a ver com o movimento Rastafári, que apenas popularizou o visual de rolos cilíndricos de cabelo que aparentam “cordas” que saem do topo da cabeça. “O leão é um animal sagrado para os rastafáris, simboliza a luta e a resistência do povo. Eles não cortavam o cabelo, nem faziam a barba. Para os ‘Rastas’ os dreads simbolizavam o leão, uma forma de representar a sua resistência contra a opressão política que existia na época”, explica Ivan.




Dreads Removíveis

O processo se resume em trançar o cabelo com apoio de lã e depois cobrir a trança com cabelo sintético da Kanekalon-afrelle que é uma fibra com aparência de cabelo mais crespo e uma textura suave.

O processo todo ainda é mantido em segredo, mas ela garante que o cabelo não sofre dano nenhum. Ufa! Uma ótima alternativa para quem quer usar e retirar após alguns meses.






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